Não sei se acontece com você, mas acredito muito que sim e isso pode por vezes ser uma grande dificuldade de muitos veterinários.
Estou falando em se apegar aos seus pacientes e tutores.
Hoje vou contar a história do ?Argos? um labrador de 58kg (quando eu o atendi pela primeira vez em abril/2018). Ele veio encaminhado por um veterinário do hospital veterinário da faculdade.
Argos e sua tutora chegaram para a primeira consulta com histórico de lesões cutâneas há anos, na época ele tinha 7 anos. Ao fazer a anamnese e exame clínico, o diagnóstico mais provável era Dermatite Atópica, no entanto, ele estava com lesões de piodermite superficial generalizada e uma tutora desacreditada.
Devido o histórico de tantos tratamentos com antibióticos anteriormente já recebidos, a única opção era a realização de cultura e antibiograma (e os demais exames básicos, claro). Ao receber o resultado, a já imaginada resistência à meticilina e multirresistência. A nossa única opção era a enrofloxacina. Vamos lembrar que precisamos usar medicação de boa qualidade e ele tinha 58kg, a tutora precisou ir de cidade em cidade, de clínica em clínica, comprando todas as caixas de Baytril que ela encontrasse. E, algumas boas semanas após, havíamos conseguido passar pela piodermite de multirresistência.
Chegou então o momento do teste alérgico, o Argos era alérgico à ácaros da poeira domiciliar e apesar de ser um cão de grande porte, vivia em ambiente intradomiciliar. A tutora concordou e iniciamos imunoterapia alérgeno-específica (ASIT) no Argos.
O Argos teve uma resposta espetacular com a ASIT, podendo viver muito bem com a sua doença alérgica sob controle por anos. Ele até perdeu peso e comparecia a todos os seus retornos, sempre acompanhado da sua tutora e do seu cuidador (sim, ele tinha um cuidador).